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Como vencer o bloqueio criativo ao desenhar sua própria marca

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Você tem um bloqueio criativo insano quando vai projetar o seu logotipo pessoal? Não consegue ter ideias ao desenhar sua própria marca? Eu também, mas antes desse guia aqui!

E a boa notícia é que o problema é mais simples do que parece; o problema não é você, falta de criatividade ou burrice, mas sim a formação precária a qual somos submetidos.

Essa formação nos deixa com uma miopia de branding que não nos ensina pensar mercadologicamente, então em vez de tentarmos projetar uma marca, nós ficamos tentando desenhando os nossos gostos e personalidade num logotipo—o que dificilmente dá certo.

Por isso o primeiro passo para resolver essa treta é se tocar que você não está concorrendo a um match no Tinder, mas sim a um job. Esteja ciente que NINGUÉM está interessado na sua personalidade, mas sim no seu potencial de mercado. (Aliás, até estão, mas o lado financeiro importa bem mais.)

Resumidamente: você não tem que desenhar o que você acha de você, mas o que o mercado quer ver de você. Quer aprender como? Bora lá! ↓


O diferencial da sua marca é tudo

Como fazer a sua marca pessoal sem surtar [BRANDING] 3
Brand Identity do Morandini
Quando você vai ao Carrefour, você se pergunta qual é a personalidade do designer do logo do mercado (ou sequer do CEO encomendou)? Não, né? O mesmo vale para a sua marca.

Por isso o primeiro passo é se responder as seguintes perguntas:

  • Por que eu continuo nessa carreira desmoralizada e mal remunerada?
  • Qual é o valor do meu trabalho? Onde quero chegar com meus designs?
  • Como você se apresenta profissionalmente? Um miçangueiro ou um projetista?
  • Como quero ser percebido pelo mercado?
  • Por que o cliente deve investir em mim e não na concorrência?

O seu projeto de logotipo pessoal não deve ser um resumo de você, mas do seu potencial profissional. Por isso uma dica uma boa seria aplicar a si um briefing que você aplicaria aos seus clientes, por exemplo.


Crie sua Proposição de Valor como Designer

Seria risível um cirurgião se dizer especialista em cirurgias, logo também é idiota um designer se dizer criativo, você não acha? Isso é o mínimo, e não um diferencial!

O bom da criatividade é que ela não precisa ser dita; basta baterem o olho no seu currículo (ou portfólio) e o layout imediatamente deixará claro se você é criativo ou não. Por isso esqueça desse tipo de obviedade e foque em diferenciais reais, que o cliente/contrante não esperaria de ti—isso é uma Proposição de Valor!

Exemplo: do ano passado pra cá, 3 clientes apareceram no meu Skype revoltosos porque os freelancers são irresponsáveis. Os caras furam compromissos, atrasam os jobs e não entregam o combinado; querem atuar no mercado como designers, mas se comportam como artistas.

Bom, seriedade e compromisso é o mínimo que qualquer profissional de qualquer área deve ter, mas como ela parece ser rara entre os designers de hoje, eu a adotei como um diferencial e a adicionei a minha proposta de valor!

Liste 10 valores pessoais, então se livre de 7 que qualquer outro designer falaria. Aí se esconde a sua marca.

A Proposição de Valor é um conceito de marketing que explica como uma marca ou produto se posiciona no mercado e resolve os problemas do clientes; é aquilo que ele tem de único ou melhor que toda a sua concorrência. (E que acaba num Slogan / Tagline.)

Todas as marcas decentes do mundo têm uma proposição de valor, e você obviamente também precisa de uma, mas, como você já deve ter percebido, “criatividade” não é uma boa aqui.

Isso porque todo e qualquer cliente no universo procura um designer pela sua criatividade, então a não ser que você seja ridiculamente criativo, tentar se provar criativo (e escrever “um profissional criativo…” no currículo) é inútil como dizer que você é um humano.

Por isso leia sobre proposição de valor, crie a sua, e só então parta para o passo abaixo!

Saiba o que é a sua marca pois a maioria das pessoas não sabem. Quando questionadas, elas respondem o que sentem ou o que fizeram.

Danny Lennon The Creative Register Inc.

Traço e Psicologia do Logotipo

A Psicologia das Formas de Logotipos! 3

O que você achou daquele logotipo do Morandini alí do início? Para o Morandini, ele é nota mil; para mim, é uma merda! (CALMA, VOCÊ INTERPRETOU ERRADO!!!)

O que eu quero dizer é que ele é perfeito para o Morandini pois reflete bem as capacidades artísticas, lúdicas e criativas dele. Mas e as minhas? Eu não tenho esses mesmos talentos e, embora eu até consiga replicar todos seus traços, eu nunca pensei projetar algo do tipo para meus clientes (nem sequer teria prazer ao fazê-lo).

Por isso não faça como eu que, no auge da minha idiotice, pensei em fazer um lettering ou um personagem para representar a minha marca—dando a ilusão que eu seria capaz de fazer isso no meu dia-a-dia, para qualquer cliente que procurasse algo do gênero.

Aliás, capaz eu até sou, mas eu  não gosto de desenhar há aaaaanos e, caso fosse obrigado, me custaria tanto tempo e esforço que eu teria que e$folar o cliente para compensar o trabalho… Lição: não adianta ilustrar traços de Michelangelo se tu tá mais pra Romero Britto.

Então saiba muito bem o que você realmente é capaz de fazer no seu no cotidiano—sem sofrer—e então aprenda um pouquiiinho de psicologia para manipular o subconsciente dos clientes com o seu desenho.

Pronto, agora você está 90% preparado para desenhar o seu logotipo! Só falta..:


A Semiótica do Logotipo

Uma marca pode ser um veículo ou um destino. Se um veículo, ela fala diretamente com o público. Se um destino, o cliente concluirá por si só após o serviço.

Dr. Steven Doloff Pratt Institute

Veículos Semióticos

Quando você usa um recurso visual existente e aproveita o inconsciente coletivo (compreensão popular) para influenciar as conclusões do público.

Um exemplo disso é ter uma estrela na sua marca pessoal. Estrelas são associadas a sucesso, premiação, boa performance e vááárias outras maravilhas, mas… será que algum outro profissional do mundo já usou uma estrela como logo? Sim, e são milhares!

Por isso o Veículo é uma faca de dois gumes: se por um lado ele deixa seu cliente meio caminho para te avaliar bem, ele também pode te fazer cair num clichezão e ofuscar sua criatividade.

Dica: capriche nos traços / personalização do Veículo e você conseguirá sair do óbvio e conquistará a simpatia do seu público-alvo. (Daí a importância de ler os 3 posts de psicologia que eu sugeri.)

Destino Semiótico

Quando você faz algo único (se é que isso é possível), seja um símbolo ou tipografia.

Pense num cachorro de 10 patas agora! O que concluir disso? E uma girafa com asas? Eu não faço a menor ideia do que pensar… @_@

Os Destinos não são necessariamente radicais como esses exemplos, mas eles tendem a ser igualmente inconclusivos já que não são comuns no imaginário popular. Isso significa que o seu cliente só vai tirar conclusões reais depois de conhecer o seu trabalho, e não antes.

Atenção: isso NÃO significa que eles são inferiores aos Veículos. Eles são excelentes para demonstrar que você é diferente do que tem aí pelo mercado e deixa claro, de imediato, que você é um criativo!

Mas para isso dar certo, você precisa projetá-lo bem (novamente, leia os posts de psicologia já sugeridos) pois os detalhes dos traços e formas farão toda a diferença na qualidade do logotipo.

Um exemplo de Logotipo Destino

Conclusão

Um logotipo pessoal é como outro qualquer; ele não nasce de um surto de criatividade, de iluminação divina ou qualquer outra besteira do tipo, mas sim de estudo e pesquisa.

Basta que você sente, esqueça quem você é enquanto pessoa e se pense como uma empresa. Você não é mais o Fulano ou Fulana, mas sim o Fulano(a) Inc.™

Projete quem você é e quem pretende ser enquanto marca/empresa ao ponto de conseguir fazer o seu próprio pitch de vendas—se você conseguir fazer isso, você não só desenhará seu logotipo facilmente como terá mais sucesso profissional já que você conhecerá o seu real valor de mercado. Dicas finais de leitura:

E pronto! Se sente mais preparado agora? : )

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Romário Eichlig

Romário Eichlig

Formado em Design Industrial pela University of West Florida & UNESA; especializado em Marketing, Psicologia Social e—passando tão de raspão que até abandonei—Neurosciences 1/4 pela Harvard Medical School. Connect with me: https://www.linkedin.com/in/eichligromario
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