Brandless: uma marca sem marca, mas com branding de ponta

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A Brandless, como o nome diz, é “uma marca sem marca” de San Francisco (Califórnia), que tem como único registro uma caixa branca com um ™ – que a empresa usa APENAS para descrever seus produtos.

Nosso objetivo é mudar o modo como vivemos, assim podemos focar em viver mais e “brandear” menos.

E isso fica claro nos mais de 100 produtos da Brandless no quais não há logotipos da marca para valorizá-los (em algumas, se lê Brandless™, mas sempre em último lugar e sem tipografia especial).

Assim como não há marca, também não há exibicionismo: nenhum produto se diz melhor que qualquer outro em nada – a única garantia de qualidade está no site, onde afirmam que todos itens seguem os padrões de qualidade padrão do mercado.

A ideia é bem torta à primeira vista mas, acredite, ela tem grandes vantagens!

Branding de redução custos

Ao abrir mão de ostentar a Brandless como uma marca, a empresa consegue vender TODOS seus produtos por 3 dólares!

Para ficar mais claro: levando em conta as proporções de salários e valores, seria como se tudo no mercado que você vai custasse R$2.34.

Mas como isso é feito? Segundo a CEO Tina Sharkey, a estratégia da Brandless possibilita a evasão do que chamam de BrandTax (Imposto de Marca); um daqueles impostos escondidos, que o consumidor paga pelo direito de consumir uma marca.

Fomos treinados a acreditar que esses impostos aumentam a qualidade, mas a verdade é que isso raramente acontece.

É por isso que, ao se tornar uma “marca sem marca”, seus produtos têm descontos que podem deixá-los até 370% mais barato (no caso de cosméticos).

“Com essa estratégia, pobres são elevados a um outro patamar de consumo (ou, caso já consumam a categoria), podem adquirir versões superiores por preços inferiores.”***

*** Porém, por experiência própria como residente da Flórida, ouso a dizer que é possível comer mais e pagando menos fazendo compras na Target ou WalMart.

Logo me parece que a vantagem desse branding se dá porque todos alimentos da Brandless são mais puros (orgânicos, sem agrotóxicos, etc…) e, como você sabe, esses costumam ser ridiculamente mais caros que os regulares.

Então o diferencial da Brandless não é “alimentar os pobres”, mas permitir que mais pessoas tenham comida de qualidade sem gastar fortunas por ela (!minha opinião!).

Mas esse Branding tem um outro mega diferencial; prepare-se!

Como fazer o design de embalagem de uma marca sem marca?

Segundo Emily Heyward, da agência Red Antler, o principal é “não parecer falso, pois é óbvio que a Brandless é uma marca (e negar isso seria contra a filosofia da empresa)”.

Por isso a essência do branding e design da Brandless é se posicionar como uma simplificadora no momento da compra!

Sempre que vamos ao mercado comprar algo novo (ou uma alternativa), somos confrontados com infindáveis mini-perguntas a serem respondidas antes de pegar um mero miojo, como por exemplo:

  • Será que essa marca presta?
  • Epa, esse aqui é da marca Y, deve ser melhor!
  • Hm, esse aqui tá mais barata, mas a marca é meio aleatória.
  • Esse diz que dá hadouken e até brilha no escuro!

Isso porque todas embalagens no mercado se gabam de algo – e se a lei e o bom senso permitissem, todos diriam ser os melhores da categoria.

Por isso a Brandless pega um outro caminho, onde a embalagem valoriza apenas o produto, sem tentar analtecer a marca por trás dele:

  • O produto vem em uma embalagem simplíssima, muitas vezes 100% flat.
  • Se destacando contra o fundo flat, há uma caixa branca com informações sobre o produto (orgânico, sem agrotóxicos, etc…).
  • E do lado desse quadro, um pequeno ™ que o diferencia (de Brandless™).

Quadro branco esse que foi patenteado pela marca e que está sempre grande ao centro da embalagem, enaltecendo a única coisa que importa para você: aquilo que será comido (ou usado, como utensílios e etc…)!

A Brandless é uma rejeição ao mercado “sobre-brandeado” e “sobre-designeado” onde todos dizem ser melhores que os outros.

Como dito no início, a Brandless é a marca que foca em viver mais e “marcar” menos, tendo em sua essência os ideais da transparência, autenticidade e confiança.

Avivando designs “sem” identidade visual

Como fazer uma comida parecer deliciosa sem fotos manipuladas, muito blá blá blá, ou comerciais geniais como o da Batata Show?

Esse foi o desafio da Red Antler, que “retirou tudo do design até fazer uma espécie de UI vs UX do produto, projetando uma interface guiada pela simplicidade, transparência e filosofia do ‘aquilo-que-realmente-importa’.

Se você pensar na sua marca favorita de loção para mão, dificilmente ela será a sua marca favorita de molho de tomate (a não ser que seja Qualitá, que só falta vender órgãos). Então como resolvemos isso?”

Para a Brandless, o minimalismo da embalagem resolve tudo!

O quadro branco permite diferenciar um produto do outro facilmente, e o mais importante: contrastar (e muito) com o background – que dá vida ao produto!

Por exemplo: o mac and cheese da Brandless traz um background amarelo onde você vê o macarrão. Já o ketchup, a cor da embalagem é tão forte quanto a cor do produto – como nessa compota de maçã:

As poucas fotos usadas pela Brandless são realmente fotos do produto, assim você sempre sabe o que está comprando.

Mas e se a embalagem flat não for o suficiente para ativar a fome de alguém? A Red Antler pensou nisso e decidiu caprichar na teoria e harmonia das cores, é claro.

Por isso o design minimalista da Brandless traz uma harmonia de cores onde diferentes produtos se comunicam e “se combinam tão bem quanto quando já estão prontas no seu prato”! (infelizmente não há imagens disso)

Ah, e quanto aos outros produtos da empresa, a “falta de identidade visual” fica ainda mais consistente, como podes ver a seguir:

Se não fosse pelo contexto, você talvez acharia que é uma marca genérica vendida em feiras de rua, né?

A marca sem marca é para poucos

Você nunca encontrará a Brandless em um mercado.

Isso já era de se concluir de uma marca que dribla impostos (honestamente), e com um branding tão “anti-brand” que dificilmente sobreviveria a uma gôndola.

Outro fator é que, para ter destaque em mercados (ou simplesmente ter lugar) é preciso investir uma grana preta – o que se refletiria nos preços da Brandless.

Isso parece desvantajoso, mas pode ser o segredo do sucesso da Brandless:

Ela tem um mercado enorme, que pode ser dividido em vários seguimentos, como:

  • Pessoas menos favorecidas (ou que simplesmente querem economizar);
  • Os “diferentões” e os desapegados em geral;
  • E por ser uma empresa Californiana, tem a galera do Vale do Silício.

As nova gerações estão cada vez mais indiferentes ao status das marcas (principalmente empreendedores [o que o Vale tem de sobra]); para boa parte desses caras, comida é simplesmente… comida!

Quantas vezes você já perguntou a marca de alguma comida em um restaurante?

Essa filosofia de indiferença com o logotipo dos alimentos está saindo dos restaurantes para nossas casas; eu mesmo compro qualquer marca minimamete decente em promoção (desde que não seja da JBS).

Se você for ao mercado agora, você encontrará vários iogurtes que beiram os 15 reais. Sim, aqueeele 1 litro de leite colorido que finge que tem fruta dentro!

Mas se você analisar bem, encontrará vários outros iogurtes 50%+ mais baratos e que são tão bons quanto (ou pouco inferiores), te permitindo economizar uma grana que pode ser gasta em experiências mais prazerosas que um café da manhã!

A Brandless, ou a marca sem marca, está aí justamente para atender você que pouco se importa com o logotipo do seu macarrão ou o laboratório do seu sabão; desde que o primeiro seja gostoso e o segundo limpe coisas, a missão está cumprida! = )

Inspiração: Co.Design

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